sábado, 28 de maio de 2016

O que pensamos enquanto esperamos.


Hoje é sábado. 
Afinal para muitos é só mais um dia importante no sacramental fim-de-semana.

Infelizmente para a maior parte dos jovens empregados (também reconhecidos como "carne para canhão") que trabalham aos fins-de-semana, é só mais um dia. Isso mesmo, um dia a mais para a contagem até ao final do mês e nada mais.

Tudo isto começou ainda na década de 80, essa década tão especial e espectacular em que o nosso iluminado País começou a ser povoado com Shopping's e Galerias Comerciais e Hipermercados. Afinal havia injecção de dinheiro e nós, Portugueses de gema, adoramos uma boa moda nem que para isso tenhamos de sacrificar folgas e horas que deveriam ser dedicadas à família e a nós mesmos. 

Entretanto esta dissimulada "praga" continuou a crescer, e a crescer, e a crescer; não sei se têm noção, mas só à volta da cidade do Porto existem actualmente cerca de 6 Shopping's de dimensões variáveis, onde diariamente passeiam milhares de pessoas, com ou sem emprego, com dinheiro para gastar ou apenas com o sonhos de o ter. 
E para que essas multidões (ocupadas ou não, endinheiradas ou não) possam passear nas ruas movimentadas de um shopping, existe outras poucas pessoas que têm que por em espera a família, os sonhos e planos e a saúde mental, porque quem trabalha numa loja de shopping tem um lema maior:

Vender! Vender! Vender! Impingir! Impingir! Impingir o que não tem qualidade, o que não fica bem, o que não se precisa! 

Vivemos mesmo na Sociedade do Ter, e não do Ser. 
Vivemos para o exterior porque o nosso interior é tão irritante! Questiona-nos todos os dias se estamos satisfeitos com o caminho que estamos a trilhar. E o que fazemos? Calamos essa vozinha irritante com mais compras! Enquanto ela estiver ligeiramente entretida com coisas brilhantes e novas, conseguimos esquecer o quão verdadeira é essa sensação de ter muito mas ser nada.

Não quero trabalhar num shopping. Tive a minha dose de vida perdida e Vitamina D desperdiçada. Não quero trabalhar num Shopping porque acredito que tenho direito a ter vida pessoal, a ter tempo para a família, a ser feliz.

Mas respeito quem tem que lá trabalhar, quem todos os dias se depara com os seus direitos calcados e recalcados, quem todos os dias se depara com pessoas mal educadas e mal amadas que pensam que quem está atrás de um balcão tem que aturar taras e manias de gentinha mal formada só porque sim! 
(Ahhhhh.... a frase tão inteligente de Pessoas qe dizem: Eu pago o seu ordenado! E a resposta que passa na nossa mente é: Ó Mentecapto! Se assim fosse tinhas de trabalhar a triplicar!)

Tudo isto me passa hoje pela cabeça, enquanto espero que as horas passem, enquanto espero que chegue a meia-noite para que alguém que faz bater o meu coração possa regressar a casa depois de mais um dia puxado de trabalho.
Não, ele não trabalha num Shopping.
Trabalha num armazém de distribuição.

Mas bem vistas as coisas, ser mal pago e mal tratado e aceitar, porque precisamos de 530 euros para o próximo mês, é condição exigida em qualquer emprego com horário fora do chamado horário de expediente.

Deixem-me ver as horas... Ainda falta tanto.



sexta-feira, 27 de maio de 2016

Um ano depois... Nada de novo e tudo diferente!

Isto de manter um blog tem muito que se lhe diga...

A verdade é que gostava de passar para o papel as mil e uma ideias que afugentam o meu cérebro (algumas tenebrosas, outras nem tanto!), mas quando chega a chamada Hora H... A dificuldade em conseguir realmente expressar os pensamentos, parece que fica tudo negro.

Um ano depois, volto a tentar.

Um ano depois, continuo em Liberdade Condicional, desempregada à procura de Emprego.
Um ano depois, continuo com o mesmo Curriculum Vitae, lutando contra tudo e irritando-me quando algum iluminado me questiona:

"Porque não tiras a Licenciatura do curriculum? Se calhar era mais fácil encontrares emprego..."

Não tiro porque me recuso a compactuar com a mediocridade que vejo à minha volta.
Não tirei a Licenciatura para ser Doutora. Tirei porque é uma mais valia, porque aprendi muito nesses quatro anos de frequência universitária. Porque ser Licenciada faz de parte de mim, tem influencia (positiva!) na pessoa que sou hoje.

Todos os dias aprendo mais, mas também consigo ir ensinando alguma coisa aos que me rodeiam. E isso acontece não porque tirei um curso superior, mas porque aprendi a aprender, e que o conhecimento ocupa muito pouco lugar nos nossos cérebros mas é uma mais valia tão grande no nosso dia-a-dia!

Não! Vou continuar a dizer que sou Licenciada em Geografia, enquanto me candidato a propostas de emprego em que pedem menos qualificações, tão merecedoras de respeito como a minha.

Há uns anos que deixei de procurar emprego/trabalho na minha área. Decidi que quero aprender outras coisas, há muitas outras áreas a explorar.

Mas vou ser sempre Licenciada,
Isso não me podem tirar.