Mas
afinal...
Pois
é... Mas afinal a Segurança Social é o quê, anda a fazer o quê, vai sobrar o
quê?
Nos
últimos dias os poucos carismáticos partidos portugueses só falam da Segurança
Social. Todos nós temos muito a dizer, e até a se queixar, desta coisa tão
gigante e pobre que é a Segurança Social.
Quando
andei a estudar, há uns milénios atrás, em Geografia Humana, a aprendemos o que
é a Segurança Social, como nasceu, como se sustem, e como corre o risco de se
desmoronar.
Comecemos
então pelo princípio (prometo ser breve, até porque conhecemos o nível de concentração
baixo para ler).
Tendo
como base o site da própria Segurança Social (http://www4.seg-social.pt/),
a instituição Segurança Social "é um sistema que pretende
assegurar direitos básicos dos cidadãos e a igualdade de oportunidades, bem
como, promover o bem-estar e a coesão social para todos os cidadãos portugueses
ou estrangeiros que exerçam atividade profissional ou residam no
território."
Ora,
pelo que percebemos daqui, a Segurança Social existe para os cidadão e dos
cidadãos, já que é alimentada pelos descontos que cada um de nós faz todos os
meses, de forma a permitir que caso aconteça a algum de nós alguma situação menos agradável
(doença, desemprego), tenhamos uma ajuda estatal.
Os objetivos
da Segurança Social, segundo o próprio site, são:
- "Garantir a concretização do direito à Segurança Social"
- "Promover a melhoria sustentada das condições e dos níveis de protecção social e o reforço da respectiva equidade"
- "Promover a eficácia do sistema e a eficiência da sua gestão."
Não vou
falar dos princípios, senão nunca mais acabamos... Convido-o a dar um pulo
ao site e perder valiosos minutos a ler.
Continuando...
Até
aqui, estamos entendidos. A Segurança Social portuguesa articula-se com outros vários ministérios
(Educação, Saúde, Emprego...), e daí surgem os vários apoios sociais que
todos nós conhecemos:
- Subsídio de
Desemprego
- Subsídio de
Doença
- Abono
de Família
- Reforma
- E tanto,
tantos outros que já ouvimos falar.
E
chegamos assim ao assunto do momento: as pensões.
Já se
fala há muito tempo da falência técnica da Segurança Social. E
agora falam de cortar ainda mais nas pensões, hipotecando assim a
possibilidade que os Idosos têm de terminar a vida de forma digna e que nós
jovens tenhamos acesso a uma pensão para um fim digno também.
Chego à
conclusão que estamos a ver, mais uma vez, a ver a situação da forma errada, e
assim vai ser difícil vislumbrar a solução:
- Numa
sociedade em que tanto se fala da necessidade de Medidas para aumentar a Natalidade
(que são uma anedota, porque na realidade as empresas para as quais
nos matamos a trabalhar não incentivam nada a natalidade! Alias, a maioria
das empresas empregadoras portuguesas, entre as quais o
Estado Português, são as maiores e únicas culpadas
de não haver bebés!) mas que na realidade essas medidas são
anedóticas.
- Numa
sociedade com cerca de 15% da população desempregada (e receber um apoio
da Segurança Social, que não chega para os alfinetes! Já estou como dizem
os anciãos portugueses: anos a trabalhar (no meu caso, foram 12
até ter ficado desempregada) e é esta miséria que me dão
para ajudar a sobreviver!);
- Num
pais em que o Emprego é precário, mal pago, explorado. Num país
em que não há cultura de emprego, de valorização, de formação; em que
fomentamos a mediocridade na procura de emprego e
no próprio emprego, em que fomentamos enganar o outro, em que
não importa quem calcamos nem como, desde que os objectivos impostos
sejam atingidos, mesmo que esses objectivos sejam absurdos e
completamente fora da realidade
- ...
Pois é,
estamos a começar pelas Pensões. Mas devíamos começar por quem
trabalha, por quem desconta e sustenta a Segurança Social. Façamos
um exercício analítico: se promovermos a serio a Natalidade, se
incentivarmos as empresas a promover emprego e dermos trabalho a quem
infelizmente não tem, com condições dignas, por exemplo, desta forma
vamos estimular o consumo, a economia vai crescendo.
E a
sustentabilidade da Segurança Social? Essa acabará por acontecer, já que a
população activa está realmente activa!
Pelo
andar da carruagem... Vão comer-nos a carne, e nem os ossos vamos ter para
xuxar...
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